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11 mudanças no acordo ortográfico para ficar atento!

Mesmo após 9 anos do acordo ortográfico e as novas regras gramaticais, ainda há muitas dúvidas entre os brasileiros. Separei as 11 principais mudanças e alguns macetes neste texto.

As novas regras da língua portuguesa entraram em vigor no dia 01/01/2009 e foram estabelecidas com o intuito de unificar a ortografia entre Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor Leste, que são os países que têm o português como idioma oficial.

De modo geral, os principais objetivos do Acordo Ortográfico são, além de melhorar o intercâmbio e aproximar as nações que compartilham a mesma língua, reduzir os custos na produção e tradução de livros e facilitar a propagação de diversas obras bibliográficas e tecnologias.

Nas normas do português brasileiro, as mudanças foram menos expressivas, se comparadas com o português lusitano. No Brasil, o impacto foi de 0,8% das palavras, enquanto Portugal teve 1,3% do seu dicionário alterado.

Apesar de um impacto menor, 9 anos após sua decretação e com muita informação disponível na internet, a reforma ortográfica e as novas regras gramaticais ainda geram muitas dúvidas entre os brasileiros. Pensando nisso, separei uma lista com as principais mudanças e alguns macetes que vão te ajudar a escrever corretamente usando as novas regras.

Os acentos

1. Com o Novo Acordo Ortográfico, o trema não existe mais

O trema, o sinal gráfico que era usado nos grupos silábicos QUE, QUI, GUE e GUI, deixou de ser usado em qualquer palavra que não seja nome próprio de origem estrangeira, como, por exemplo, os sobrenomes Müller e Bündchen. Assim sendo, palavras como “cinquenta”, “frequência” e “pinguim” continuam com a mesma pronúncia, mas não têm mais o trema na letra “U”.

2. Hiatos “EE” e “OO” não devem ser acentuados

“Leem”, “creem”, “enjoo”, “abençoo”, são algumas palavras que possuem hiatos com as letras “ee” e “oo”, mas não devem mais ser acentuadas. Então, não se esqueça desta dica: tem dois “e” ou dois “o”? Não coloque acento!

ANTES: Enjôo, vôo, corôo, perdôo, côo, môo, abençôo, povôo, crêem, dêem, lêem, vêem, descrêem, relêem, revêem.

DEPOIS: Enjoo, voo, coroo, perdoo, coo, moo, abençoo, povoo, creem, deem, leem, veem, descreem, releem, reveem

3. Ditongos abertos “EI” e “OI”, em palavras paroxítonas, não têm mais acento

“Assembleia”, “plateia”, “ideia”, “jiboia”, “heroico”, e todas as outras palavras paroxítonas que têm os ditongos abertos “ei” e “oi”, mas não terminam com a letra “r”, não precisam mais de acento agudo na primeira vogal. Mas preste bastante atenção em uma coisa: a regra só é válida para as paroxítonas! Portanto, oxítonas e monossilábicas, como “herói”, “anéis” e “dói”, continuam fazendo uso do acento.

ANTES: Assembléia, platéia, idéia, colméia, boléia, panacéia, Coréia, hebréia, bóia, paranóia, jibóia, apóio, heróico, paranóico.

DEPOIS: Assembleia, plateia, ideia, colmeia, boleia, panaceia, Coreia, hebreia, boia, paranoia, jiboia, apoio, heroico, paranoico.

4. Não há mais acento para diferenciação de palavras homófonas

Palavras que têm a mesma pronúncia, mas eram distinguidas por acentos agudos ou circunflexos, agora não têm mais esse diferencial, segundo o Novo Acordo Ortográfico. Um bom exemplo é a palavra “para”, que anteriormente possuía acento agudo em sua forma verbal, com o intuito de não ser confundida com a palavra “para” usada como preposição. Porém, nesse caso, existem algumas exceções. Veja:

O verbo “pôr” e a preposição “por” ainda se diferenciam pelo acento.

O verbo “poder”, conjugado no passado (“pôde”), continua com o acento, para não haver confusão com o verbo no presente (“pode”).

ANTES: Pára (verbo), péla (substantivo e verbo), pêlo (substantivo), pêra (substantivo), pólo (substantivo).

DEPOIS: Para (verbo), pela (substantivo e verbo), pelo (substantivo), pera (substantivo), polo (substantivo).

5. Nas formas verbais rizotônicas, não se acentua mais a letra “U” de GUE, QUE, GUI, QUI

Formas verbais rizotônicas são as formas verbais em que o acento recai no radical, ou seja, naquela parte em que não há nenhuma mudança com a conjugação verbal. Dessa maneira, sempre que a letra “u” estiver em um verbo e entre as letras “g” ou “q” e “e” ou “i”, não deve mais ser acentuado. É o caso das palavras “enxaguemos”, “apazigue” e “averigue”.

ANTES: Argúi, apazigúe, averigúe, enxagúe, enxagúemos, obliqúe.

DEPOIS: Argui, apazigue, averigue, enxague, enxaguemos, oblique.

6. Não se acentuam “I” e “U” tônicos em paroxítonas, quando precedidos de ditongo

A nova norma determina que as palavras que tiverem “i’ e “u” em sílabas tônicas de paroxítonas não necessitam ser acentuadas, haja vista as palavras “feiura” e “bocaiuva”, que perderam o acento agudo na letra “u”.

ANTES: Baiúca, boiúna, cheiínho, saiínha, feiúra, feiúme.

DEPOIS: Baiuca, boiuna, cheiinho, saiinha, feiura, feiume.

O hífen

7. A letra “H” não deve se encostar ao prefixo: use o hífen!

Uma das regras gerais é que sempre que a primeira letra do segundo elemento for “H”, a palavra deve ser separada do prefixo usando o hífen. É o que acontece com as palavras “anti-herói”, “pré-história” e “super-homem”.

8. Letras iguais? Separa! Letras diferentes? Junta!

Quando o primeiro elemento terminar com a mesma letra que se inicia o segundo, o hífen deve ser empregado; caso elas sejam diferentes, os dois elementos devem ser unidos sem o uso do hífen.

IGUAIS: Anti-inflamatório, supra-auricular, arqui-inimigo.

DIFERENTES: Neoliberalismo, extraoficial, semicírculo.

Entretanto, preste atenção em uma exceção, que é o caso das palavras que apresentam o primeiro elemento terminando com uma vogal e o segundo começando com “r” ou “s”: nesse caso, o prefixo e a palavra devem se unir sem o auxílio do hífen, mas com a duplicação da consoante.

DUPLICAÇÃO DA CONSOANTE “R”: Suprarrenal, contrarregra.

DUPLICAÇÃO DA CONSOANTE “S”: Minissaia, antisséptico.

9. Quais prefixos devem ser seguidos de hífen?

O Novo Acordo Ortográfico determinou que o hífen deve ser usado diante das palavras com os prefixos “ex”, “sota”, “soto”, “vice”, “vizo” e “pós”, “pré” e “pró” quando forem tônicos. Já no caso dos prefixos “circum” e “pan”, aplica-se o hífen se o segundo elemento começar com uma vogal.

EXEMPLOS: Pré-escolar, pré-nupcial, pós-graduação, pós-tônico, ex-almirante, sota-piloto, soto-pôr, vice-almirante, circum-murado, circum-navegação, pan-hispânico, pan-americano.

10. Quais prefixos não devem ser seguidos de hífen?

Não devemos usar o hífen e aglutinar as palavras quando os prefixos “pre”, “pro” e “pos” forem átonos e autônomos do segundo elemento. O hífen também foi abolido de palavras com o prefixo “co” e “re”, as quais devem ter as vogais duplicadas quando forem justapostas.

EXEMPLOS: Predeterminar, pospor, propor, prever, coobrigação, coedição, coeducar, cofundador, reescrever, reedição, reeducação, reeleição.

11. O hífen e os substantivos compostos

O hífen permanece nas palavras compostas que não contêm um item de ligação e formam uma unidade sintagmática e semântica, conservando acento próprio, e também naquelas que nomeiam espécies botânicas e zoológicas.

EXEMPLOS: Ano-luz, azul-escuro, médico-cirurgião, conta-gotas, guarda-chuva, segunda-feira, tenente-coronel, formiga-branca, beija-flor, couve-flor, erva-doce, mal-me-quer.

Entretanto, algumas palavras perderam a noção de composição e passaram a ser escritas sem o hífen.

EXEMPLOS: Girassol, madressilva, mandachuva, pontapé, paraquedas, paraquedista, parabrisa, parachoque, paravento.

Conhecendo as principais regras do Novo Acordo Ortográfico, a dica é praticar a escrita, pois aprender ortografia é algo que exige muita paciência e atenção. Você pode também usar o auxílio de ferramentas que fazem revisões de texto de acordo com as novas normas em poucos segundos.

Não deixe de compartilhar nos comentários, suas dúvidas e dicas sobre as novas regras da ortografia! Vou adicionando aqui no post.

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