Design Produtos

Idea Awards | Premiados 2007

Abridor de Latas One Touch

Produto: Abridor de latas One Touch
Designer: Daka Development Ltd. (Hong Kong)
Prêmio: Ouro
Categoria: Produtos para Casa
Descrição: Inventado em 1858, e com vendas superiores a 125 milhões de unidades por ano, o abridor de latas é uma ferramenta essencial para o dia a dia – disponível em diversos tamanhos, formatos e mecanismos. Com possibilidades aparentemente limitadas para realizar qualquer inovação significante, durante muitos anos muita pouca mudança tem sido feita nesse item – até que a Daka decidiu desenvolver um design de um abridor sem fio e que não é preciso usar as mãos, simplesmente apertar um botão.

Pesquisa preliminar destacou três desafios principais de design. O primeiro era que um abridor de latas precisa de um grip com uma força de aproximadamente 100 libras (45 kilos) e ainda ter força suficiente para penetrar a lata. Abridores manuais funcionam devido ao fato que humanos instintivamente aumentam a força aplicada para abrir a lata até conseguirem o suficiente para abri-la com sucesso. Conseguir reproduzir isso em um mecanismo automático não é fácil, fato provado pelos muitos abridores elétricos já existentes que ainda precisam força humana para furar a tampa e iniciar o movimento cortante. O que eles queriam conseguir era um mecanismo que além de possibilitar a lâmina a andar sozinha ao redor da lata também iniciaria a ação cortante sem intervenção manual.

Além disso, queriam conseguir um ciclo totalmente automático que usasse um circuito com um sensor ou timer que parasse assim que a lata estivesse completamente aberta. Por último, precisavam combinar o motor, fonte de energia, sistema de engrenagem, mecanismo do cortador e timer/sensor em um objeto com aparência simpática, que coubesse em uma mão e também em uma gaveta de cozinha. E, para atingir os critérios de eficiência, tamanho, e força requisitada, precisaram reunir energia suficiente para o aparelho usando apenas duas baterias AA.

No começo das etapas de design, desenvolveram e testaram vários conceitos. Compararam muitas simulações com vários abridores diferentes já existentes. Para avaliar e refinar cada conceito ao desenvolver o produto, criaram um grupo de teste com diversos tipos de consumidores: consumidores em forma, jovens, canhotos, adultos e pessoas com destreza manual.

As experiências com o grupo foram iluminadoras. Por exemplo, a força necessária para segurar a alavanca de um abridor manual enquanto simultaneamente girando a alça passou do nível de conforto para mais ou menos 40% do grupo. Mesmo abridores elétricos não foram muito melhores, geralmente requerendo um alto nível de destreza. Alem disso, descobriram que em quase todos os abridores existem recursos não quistos decorrentes de um foco na facilidade de fabricação ao invés de facilidade de uso.

Funcionalidade posta de lado, o que foi particularmente interessante de observar foi a importância surpreendente que foi dada à estética de um produto como esse para as pessoas que testaram. À primeira vista, modelos na qual a estética dava a impressão de uma funcionalidade melhor foram escolhidos antes de protótipos que realmente tinham benefícios funcionais – um sinal bastante claro para a equipe que a chave para criar o perfeito abridor de latas dependia da integração de funcionalidade superior e um design atrativo.

Handel Dantas do Comunicadores, deu a dica de um vídeo de como essa genialidade funciona:


Churrasqueira Outdoor Fuego

Produto: Churrasqueira Outdoor Fuego
Designer: Pentagram (EUA) e Fuego (EUA)
Prêmio: Ouro
Categoria: Produtos para Casa
Descrição: Quando um designer é confrontado com um problema ou oportunidade, o caminho ideal a seguir é uma linha reta que conduza do conceito à solução, desde o desenvolvimento até a produção e, finalmente, ao mercado. Contudo, no mundo real, a influência que as pessoas e empresas exercem complica o processo, sendo que projetos racionais e lineares são raros. Para um designer, torna-se importante abraçar o elemento de surpresa para tirar proveito de oportunidades quando surgem. O Fuego emergiu de tal situação: de um protótipo desenvolvido para um reality show à inspiração de um produto e empresa completamente novos.

A oportunidade de criar o Fuego surgiu inesperadamente. Na primavera de 2004, uma produtora de filmes trabalhando para o Discovery Channel contatou a Pentagram Design para convidá-la a participar de um novo programa que mostraria aos espectadores como produtos “state-of-the-art” (“de última geração”, ou “mais modernos”) são criados. Para o programa piloto eles queriam seguir a equipe da Pentagram enquanto ela desenvolvia um projeto desde seu conceito até a sua produção. A equipe explicou que por mais que isso fosse viável, demoraria muito tempo para completar o design completo do produto novo e, mesmo quando pronto, eles não poderiam apresentar o programa até o lançamento do produto. Obviamente isso não soou bem para a produtora.

A sugestão que então surgiu foi a de desenvolver um novo projeto somente para o programa. Quando a idéia de uma churrasqueira foi lançada, foi vista como uma excelente área para inovação, além de algo com que o público poderia facilmente se relacionar.

A experiência que tiveram com televisão tipo “reality show” acabou sendo surpreendentemente frustrante. Durante cinco semanas eles criaram o produto na frente das câmeras. A equipe de filmagem estava no estúdio somente dois ou três dias por semana, então freqüentemente tinham de ser recriadas velhas situações e construídas novas para preencher a história. Como os produtores tinham que vender um show, a equipe tentava criar o máximo de drama possível, mesmo que não houvesse praticamente nenhum. Contudo, o programa serviu de plataforma para o lançamento do Fuego, que não existiria se não fosse a insistência da produtora que os empurrou a produzir tal coisa. Mesmo que não percebessem na hora, eles estavam construindo uma abordagem completamente nova para fazer churrascos.

Durante a filmagem, a equipe saiu no feriado de Memorial Day para tentar achar alguma inspiração ao observar diversos churrasqueiros no habitat natural deles (o churrasco). Um grupo grande de pessoas fazendo piquenique em um parque na Califórnia convidou-os para se juntar a eles, generosamente dividindo a sua comida e bebida. O cozinheiro estava usando uma churrasqueira de carvão tradicional, um quadrado de um metro com prateleiras laterais. O que mais os chamou a atenção foi como a festa reunia todos em volta da churrasqueira. Eles comiam, bebiam e comiam mais, o tempo todo assistindo como a comida era preparada.

Saíram do parque com duas grandes revelações que se tornaram as chaves para o desenvolvimento do Fuego: normalmente churrascos têm uma função social onde a churrasqueira é o centro e a grelha é o palco onde acontece a performance de cozinhar. A solução a que eles chegaram era a de criar uma churrasqueira que fosse um centro social, o lugar em volta do qual a festa acontece.

Ao explorar o mercado, determinaram que a tampa das churrasqueiras de gás tradicionais impedia a parte social do churrasco por esconder o cozinheiro atrás da churrasqueira. E nesses casos, reorientar a churrasqueira muitas vezes quer dizer que o churrasqueiro tem de dar as costas à festa. Normalmente o churrasqueiro e a churrasqueira são isolados do grupo de pessoas e dos acontecimentos do evento. Essas observações fizeram com que eles pensassem em uma churrasqueira que poderia ser accessível por todos os lados.

Então, o desafio primário era a tampa. Enquanto entendiam que uma cobertura protegia a grelha e ajudava a comida a cozinhar mais rapidamente, também sentiram que uma tampa roubaria uma parte do conceito original. Resolveram este dilema focando nas comidas mais cozinhadas em churrasqueiras, tais como carne, hambúrgueres, frango e peixe. Dessa forma poderiam criar uma tampa discreta que poderia ser rapidamente guardada.

Outra oportunidade identificada era a limitação de uma churrasqueira somente a gás. Apesar das pessoas preferirem cozinhar com carvão, gás é muito mais rápido e conveniente. A solução foi fazer com que o Fuego pudesse operar das duas formas, com um sistema “flex” de aquecimento de gavetas que pode rápida e facilmente alternar entre carvão e gás.

Finalmente decidiram que o Fuego não poderia parecer nem com uma churrasqueira normal nem com um aparelho de cozinha, mas ao invés disso ser um móvel elegante para o pátio que combinaria com um jardim moderno. Portanto, o Fuego tem uma forma simples, porém arquitetonicamente dramática, feita de materiais ricos como ferro fundido, ardósia, tectona e aço inoxidável.

Para a surpresa geral, todas as idéias combinaram muito bem no protótipo final. Batizaram a churrasqueira de Fuego, que significa fogo em espanhol, e a estrearam no telhado do edifício W San Francisco para as últimas cenas do programa. O Fuego foi um sucesso, e as equipes do programa e de design puderam literalmente degustar os frutos de seus esforços e de seu trabalho.


Diverto Synergy 360T

Produto: Diverto Synergy 360T
Designer: Diverto Technologies BV (Holanda), Protoscar SA (Suíça), Delft University of Technology (Holanda), Hunan Sunward Intelligent Machinery Co., Ltd. (China)
Prêmio: Ouro
Categoria: Conceitos de Design
Descrição: O braço articulado patenteado do Diverto Synergy 360T transforma essa máquina conceito de um escavador compacto em uma grua rotatória completamente funcional. Usando os joysticks, o operador simplesmente dobra os segmentos do braço escavador um no outro para criar uma sólida geometria de carregamento. Outras partes podem ser anexas hidraulicamente de dentro da cabine usando o sistema “quick-attach” (anexo rápido). O resultado é uma máquina extremamente versátil para escavar, carregar, manusear ferramentas, limpar neve, ajustar níveis, quebrar concreto e mais.

O conceito da máquina de escavação/carregamento transformável foi gerado (e patenteado) pela nossa firma de design e engenharia. Ele foi então proposto a fabricantes de equipamentos, que pediram maior desenvolvimento e pesquisa do conceito. O entusiasmo deles, assim como o nosso, se devia em grande parte ao crescimento mundial no mercado para escavadeiras esteiradas compactas e gruas compactas, um crescimento de 10% e 20% por ano, respectivamente.

Dados esses fatores, a meta era desenhar a plataforma que combinaria as funções de uma escavadeira e grua em uma plataforma esteirada sem perder utilidades em nenhum dos modos. Além disso, precisávamos dar atenção específica aos fatos psicológicos inerentes à conservadora indústria de equipamentos pesados. A máquina deveria ser bastante similar a uma escavadeira compacta comum quando naquele modo. Por outro lado, sua estética também teria muitas similaridades a uma grua compacta quando usada nessa configuração. Linhas sólidas e fortes seriam essenciais.


HomeHero Extintor de Incêndio

Produto: HomeHero Extintor de Incêndio
Designer: Arnell Group (EUA)
Prêmio: Ouro
Categoria: Produtos para Casa
Descrição: Ultimamente o público americano tem se tornado mais focado em segurança em casa, tomando medidas mais pró-ativas para assegurar que as pessoas amadas fiquem mais preparadas para encarar uma emergência nacional. Este pensamento, que começou com o ataque terrorista de 2001, expandiu-se devido a outras tendências e eventos, para incluir preparação pessoal contra desastres nacionais, segurança das crianças e segurança em casa.

Tal objetivo não é somente guiar compras de itens de segurança, como lanternas e kits de primeiros socorros, é uma inspiração para o trabalho com a Orange Works, uma joint venture da Home Depot e do Arnell Group, para desenvolver e fazer um design único de um extintor. Como a Home Depot é a número um entre as lojas de artigos para casa nos EUA, ela tem o poder de fazer com que esse produto chegue às suas lojas com grande potencial de venda. Começaram com uma estratégia de re-inventar o óbvio. Queriam providenciar segurança em casa ao trazer inovação e agregar um novo valor aos itens normais de segurança, dos quais os consumidores normalmente não costumam tirar vantagem. A experiência que os criadores tinham com o departamento de bombeiros de Nova Iorque, no qual fez a melhor e mais efetiva campanha de segurança contra incêndio, ajudou, porque já tinham o conhecimento de que segurança em casa é um tópico muito importante que deve ter um alto nível de conscientização, soluções preventivas e modernização.

Através de pesquisas descobriram que somente 42% das casas nos Estados Unidos tinham extintores. Dentro deste grupo, existe uma grande ausência de contato com o extintor depois que ele já foi comprado. Em resposta a uma enquete, muitas pessoas mandaram fotos dos seus extintores. As fotos mostravam que os extintores estavam dentro de armários, embaixo de pias e escondidos atrás de outros objetos, ou seja, os extintores eram difíceis de alcançar e era difícil de lembrar onde eles estavam guardados. Foi descoberto que parte da razão de as pessoas esconderem um objeto tão importante para a segurança doméstica é seu visual antiquado e sua aparência pesada, a necessidade de mantê-lo longe das crianças, e a falta de conhecimento de como usá-lo, causando assim apatia e desprendimento do objeto.

Adicionaram essas informações a fatos de segurança contra incêndio em casa: 74% de todas as mortes causadas por incêndio são em residências e 34% dessas ocorrências são na cozinha das residências, mais do que qualquer outro lugar da casa. Um incêndio dobra de tamanho a cada minuto que queima, um pequeno fogo pode facilmente crescer e englobar uma sala inteira em questão de minutos. Pior ainda, pode levar menos de cinco minutos para um incêndio destruir uma casa de porte médio, deixando pouco tempo para a família sair seguramente.

Foi desta forma que começaram a reinventar o antigo design de 125 anos do extintor, armado com as necessidades e funcionalidades necessárias para resolver as barreiras da implantação, utilização e envolvimento.


Gourmet Settings at Costco

Produto: Gourmet Settings at Costco
Designer: Kerr & Co. (Canadá) e Hahn Smith Design (EUA)
Prêmio: Ouro
Categoria: Estratégia de Design
Descrição: Em uma indústria de utensílios para casa dominada pelo preço, a Gourmet Settings, uma pequena fábrica de talheres, queria aumentar significativamente seu market share, andando na direção oposta de bens commodities de baixo preço. Como tinha muito pouco dinheiro para investir, o design do produto, embalagem e display se transformaram na estratégia de marketing que ajudou a distinguir a Gourmet Settings como sendo uma querida provedora de talheres contemporâneos de luxo com um preço justo.

O time de design foi um uma parte integral do projeto estratégico formador de decisões, identificando oportunidades para diferenciação de produtos e reforço da marca além de incorporar perfeitamente complexidade, requerimentos de funcionalidade para o programa. O papel do Kerr and Company era estabelecer o nicho e implementar a captura em todos os produtos, embalagens, display, transporte e processo de mensagens.

A natureza colaborativa desse relacionamento empresarial entre o cliente (Gourmet Settings), varejo (Costco), firma de design independente (Kerr and Company) e a firma de design gráfico (Hahn Smith Design) é único. O Gourmet Settings providenciou acesso confidencial sem restrições de informações de negócios e contato direto com o formador de opinião sênior deste varejo. Além disso, duas empresas de design trabalharam transparentemente e interativamente para atingir completamente os objetivos da Gourmet Settings e os requerimentos de logísticas da Costco com cada empresa de design. Tal colaboração assegurou total integração na solução do problema, maximização de recursos e claridade no foco. Essa aproximação também necessitou um nível de confiança e cooperação que, francamente, é difícil de se encontrar no mundo de negócios de hoje.

A estratégia de design que foi desenvolvida foi uma crescente colaboração que providenciou a lente para enxergar as questões do negocio de diferenciação, marketing e refreamento de custos. O resultado originou um design com estrutura distinta da embalagem com a mensagem clara e gráficos que oferecem uma abordagem contemporânea e de destaque. A Gourmet Settings pôde então trabalhar com a Costco para implementar esse produto de maior valor e ajudá-lo a obter aceitação do mercado.


Monitor de LCD Mobius

Produto: Monitor de LCD Mobius
Designer: Samsung Eletronics (Coréia do Sul) e IDEO (EUA)
Prêmio: Ouro
Categoria: Equipamentos de Informática
Descrição: Desde que a Samsung lançou o monitor com uma dupla dobradiça em 2002, ela continuou a introduzir monitores com dobradiças, tecnologicamente e esteticamente avançados, incluindo o primeiro monitor no mundo com dobradiça tripla. Ao focar nos monitores com dobradiças ao invés do monitor com o design básico que fica em pé, a Samsung integrou considerações ergonômicas e diferenciação de produto enquanto o lucro continua crescendo.

A competição no mercado de monitores, predominantemente na base do preço, tem sido muito interessante nos últimos anos. Entretanto a Samsung decidiu responder a essa tendência do mercado focando nos usuários Premium. O desejo de atender a essas necessidades desses consumidores levou à criação de um monitor mais avançado que o monitor com dupla dobradiça: Mobius, o SyncMaster 971p. É o mais novo monitor da Samsung com sua genealogia de dobradiças múltiplas nos últimos anos, ostentando o formato assimétrico e dobradiças triplas.

Quando o planejamento do design do Mobius começou, o objetivo do design era ter aspectos de um monitor premium que pode ser produzido em grande escala para corresponder ao mercado mundial de monitores. Então, a Samsung colaborou com a companhia Americana de Design, IDEO, para fazer uma pesquisa de mercado para entender o ambiente de monitores do consumidor na América do Norte. Nesta pesquisa, foram identificadas tais necessidades do consumidor: design ergonômico que possa corrigir a postura do usuário, uma forma simples e harmoniosa para combinar com o ambiente de trabalho e também um design para que o ambiente de trabalho seja inteligente e arrumado; um design com interface amigável que transforma o uso do produto em algo intuitivo; e uma nova estética aonde a inovação da concepção é personificada.

Um design de produto que prevê que tais requerimentos sustentarão o caráter da família Samsung de monitores Premium, que tem tido coesão desde o início além de ter a identidade da companhia. Alguns dos méritos dos monitores premium inclui o fácil ajuste da altura do monitor, que ajuda muito a corrigir a postura do usuário, e uma considerável diminuição de tamanho quando o monitor é dobrado, reduzindo os custos das manufaturas logísticas. Procuraram um formato para o Mobius em que poderiam continuar desenvolvendo essas vantagens e satisfazendo as necessidades dos consumidores e também dos manufatores.

Tradicionalmente, o design dos monitores com multi-dobradiças da Samsung foi baseado na filosofia de design: forma-segue-função. Especificando mais, a linha de design que a Samsung segue tem sido focada em fazer os usuários cientes intuitivamente das funcionalidades (por exemplo, usando o círculo para a parte rotatória do monitor, imitando a sensação de juntas nas partes que dobram).

Apos inúmeros esboços conceituais, o design final e o nome foram escolhidos, inspirados na forma do monitor. O nome Mobius deriva de Mobius uma tira aonde não existe fronteira entre dentro e fora. O uso de dobradiças triplas não foi simplesmente para chamar atenção, ao simplesmente adicionar mais uma dobradiça ao monitor já existente. Pelo contrário, a dobradiça rendeu um fator de forma bastante interessante. A aproximação mais metafórica foi uma tentativa de adicionar um elemento emocional ao princípio forma-segue-função.

A forma, que claramente mostra três dobradiças, providencia um entendimento intuitivo da usabilidade do monitor, e ao mesmo tempo a forma assimétrica da base oferece maior divertimento ao usuário. Mais ainda, quando dobrado, o Mobius é o monitor com múltiplas dobradiças mais fino disponível.

Após resolver a questão da estrutura, o maior desafio foi escolher um material em harmonia com esse design incomum. Em outros monitores premium, a Samsung usou alumínio, refletindo a aparência estilosa da marca. Contudo, a intensificação da competitividade do mercado fez com que até monitores premium se deparassem com competição nos preços e o uso de alumínio e outros materiais do tipo causariam um considerável aumento nos custos de fabricação e no preço final do monitor.

O Mobius exigia um material que projetaria elegância, imagem diferenciada e não aumento no preço. Após muitas tentativas, o time de design conseguiu, dando ao produto um aspecto luxuoso sem aumentar os custos, moldagem por co-injeção e uma resina de high-gloss sem spray. O resultante futurístico, criativo e inteligente, aparência elegante ajuda os usuários a se sentirem familiarizados com esse monitor superior e inovado. Primeiramente o design foi recebido com ceticismo devido ao conceito inédito, mas ultimamente um resultado positivo prevaleceu.


Lomak – Mouse e Teclado Operados por Luz

Produto: Lomak – Mouse e Teclado Operados por Luz
Designer: Peter Haythornwaite, creativelab (New Zealand)
Prêmio: Ouro
Categoria: Equipamentos de Informática
Descrição: No mundo inteiro um número substancial de pessoas com dificuldades físicas são incapazes de se comunicar de maneira eficaz pelo uso de um computador. Essas pessoas são restringidas por doenças como esclerose múltipla, atrofia muscular espinhal e artrite. Então, normalmente para poder se comunicar eles são obrigados a usar meios arcaicos, que são embaraçosos e fazem com que eles se sintam envergonhados.

Quando Mike Waiting, o inventor da tecnologia Lomak, observou pessoas em um centro de cuidados para desabilitados, ele decidiu que a sua missão seria desenvolver um sistema que permitisse que essas pessoas aprendessem a se comunicar usando um jeito mais simples e prático. Ele concebeu e testou muitas idéias baseadas em raios laser que ativavam um teclado receptor de luz. Através de experimentação, ele desenvolveu o teclado com uma configuração única e circular, que se transformou no Lomak “dedo-duro”.

A significância do avanço da criação de Walting foi reconhecida por Chris Mulcare da Realize Technology, uma empresa de comercialização de tecnologia, que por sua vez apontou o peterhaythonthwaite//creativelab para transformar o conceito em um produto de consumo contemporâneo. Eles tomaram a responsabilidade por todas as fases do design do produto, desde sua idealização até a gestão de produção, incluindo prototipagem, toda a modelagem final, gestão de ferramentas e injeção inicial de molde na China. Eles também criaram a identidade da marca e os gráficos do teclado. Tecnólogos especializados foram contratados para fazer o design e refinar a parte eletrônica e de software.

Normalmente pessoas sem nenhuma deficiência ou desabilidade não têm muita noção do que é ser privado de movimentos físicos normais. As pessoas podem ter solidariedade, mas raramente compreendem. Portanto, a primeira prioridade foi compreender melhor a vida de uma pessoa com uma desabilidade. Foram feitas muitas entrevistas e observações em potenciais candidatos. Eles contaram as suas histórias sobre as dificuldades, como chegaram ao estado em que estavam e o prognóstico já que eles sofrem de degradação muscular. Ao conversar com essas pessoas, os pesquisadores se sentiram inspirados pela paixão pela vida que eles tinham, e adquiriram apreciação pelas questões que o design tinha que resolver.

O design original do Lomak era um sistema de ponteiro com laser montado na cabeça (“head-mounted laser-pointer system”). Mas no começo do processo de design, ficou evidente que seria benéfico se fosse adotado um sistema em que o ponteiro de laser é feito para ser usado com a mão (“hand-pointer system”), e no qual o teclado ficaria quase plano. Essa mudança no briefing necessitava uma abordagem modular em todo o design par a assegurar que o Lomak cumprisse a sua tarefa em ambos os tipos de ponteiros, para cabeça e para mão.

Diversos conceitos foram desenvolvidos e testados com alguns associados que tinham sido entrevistados anteriormente. Ao visitar escolas e clínicas para pessoas com deficiência, eles testemunharam a determinação que essas pessoas têm a viver uma vida o mais próxima possível da vida normal. Também foi percebido que questões envolvendo complexos ergonômicos teriam que ser abordadas levando em conta que a deficiência de cada pessoa é única. Eles se sentiram desafiados e também encantados com a forma em que essas pessoas adotaram tão cedo os protótipos do Lomak.

Enquanto a tecnologia e o software evoluíam continuamente com o design, o novo Lomak passou por muitas iterações. O foco dos gráficos do teclado centrou em usar cores e uma forma que simplifica o processo de identificação alfanumérica descritiva e facilita a rápida construção de palavras e sentenças. Em todos os aspectos, o teclado é um dispositivo “plug-and-play” que executa as mesmas funções que os teclado e mouses normais. Uma vez acostumados, usuários podem atingir 25 palavras por minutos, indo bastante além em comparação à tecnologia usada no passado. É igualmente possível usar o Lomak para design, engenharia, e aplicações de administração.


PalmPeeler

Produto: PalmPeeler
Designer: Chef’n Corporation (EUA)
Prêmio: Ouro
Categoria: Produtos para Casa
Descrição: Em 2005, enquanto estava em casa com uma gripe, David Holcomb, CEO do Chef’n Corporation, se inspirou para reinventar, pela segunda vez, o design do descascador de verduras. Quatro anos antes, ele tinha apresentado um descascador com uma lamina retratável. Enquanto essa invenção encontrou um pouco de sucesso, não foi capaz de quebrar o molde do design tradicional de descascadores. Holcomb agora estava pensando em eliminar completamente a alça ao colocar a lamina diretamente na palma da mão do usuário para dar mais controle, especialmente em itens redondos como maçãs e batatas. Ele refinou seu protótipo e mostrou-o a sua família enquanto preparava jantar uma noite, sendo convencido que a sua idéia realmente tinha potencial.

Antes de levar o desenvolvimento mais adiante, Holcomb produziu um curta metragem do protótipo, o qual ele mostrou para sua equipe de vendas. Satisfeito com o retorno positivo que recebeu, ele apresentou o descascador para sua equipe de design.

As pesquisas de design preliminares focaram no mercado existente de descascadores e produtos usados na preparação de verduras. Concluíram que 95% dos participantes do mercado usavam a mesma aproximação básica: uma armação e uma alça que providenciam a plataforma para a lâmina.

Durante o processo de refinamento, identificaram três tarefas básicas na preparação de verduras: limpar a superfície da verdura, remover o exterior da verdura e produzir diferentes cortes para diferentes receitas. Acharam que seria uma ótima idéia desenvolver um produto que poderia fazer essas três funções, efetivamente combinando uma escova de verduras junto com um descascador. Nos primeiros protótipos, a escova servia como uma tampa para a lamina – em principio uma boa idéia. A escova protegia a lâmina e ao mesmo tempo apresentava uma forma limpa e consolidada. Infelizmente, esconder a lamina do usuário causava uma surpresa perigosa quando a tampa era removida. Alguns cortes sofridos pelo grupo de design sinalizaram o fim da combinação lâmina/escova. Lição aprendida.

As investigações então procuraram determinar se uma lâmina de aço era realmente a melhor escolha para ser usado para cortar e produzir resultados limpos e consistentes. O time analisou várias outras opções independentes que poderiam ser usadas para cada função (remover a parte exterior da verdura e produzir verduras descascadas) numa tentativa de decidir se eles deveriam de fato ser colocadas juntas em um só produto. Apesar de várias formas de design permitirem a remoção da superfície de uma maneira única e efetiva, foi determinado que a função dupla era importante demais para ser descartada.

Também concluíram que a lâmina de aço era a melhor solução. Mais tarde eles voltariam a trabalhar com a área de fabricação para desenvolver um processo de afiação que providenciaria pontas agudas e limpas. A performance da lâmina se tornou importante não somente para a produção de cascas limpas, mas também representava um elemento de segurança. Uma lâmina pontuda permite melhor controle e reduz o potencial para acidentes.

Tendo resolvido o problema da lamina, começaram a investigar a estrutura e interface. Quando fazendo o design de utensílios para casa, parte da dificuldade é superar as muitas experiências estáticas inerentes dos consumidores. Muitas dessas experiências devem ser respeitadas, mas algumas das melhores oportunidades de design se apresentam quando esses preconceitos são desafiados. Com o protótipo inicial de Holcomb já pronto e desenvolvido, eles focaram em uma melhoria na integração da lamina com a mão humana. A aproximação providenciou algumas oportunidades: maior sensibilidade ao descascar verduras delicadas e a redução do esforço que ocorre quando trabalham com uma quantidade grande de verduras.
Enquanto o time gostou do conceito inicial, o protótipo era mais difícil de usar do que eles queriam que fosse. Isso posto, havia uma forte ênfase em fazer o produto acessível e fácil de usar. A equipe de design começou a se referir ao conceito final como “petting” peeler (descascador que faz carinho), devido ao jeito que seria usado na palma da mão em combinação com o movimento natural de descascar. Estudos relativos à forma do descascador tentaram captar a posição natural dos dedos e da palma da mão enquanto também criavam superfícies que tiraria o melhor proveito do dedão. Basicamente queriam dar uma sensação de estar vestindo o produto e não de estar segurando o produto. Depois de testar vários tipos de tiras, decidiu-se usar o Santoprene finger ring (um anel de dedo ajustável) porque acomodava o maior numero de dedos de diferentes tamanhos e formatos e ao mesmo tempo era intuitivo ao consumidor.


Tesla Roadster

Produto: Tesla Roadster
Designer: Lotus Design Studio (Grã-Bretanha) e Tesla Motors (EUA)
Prêmio: Ouro
Categoria: Ecodesign
Descrição: O Tesla Roadster é um carro elétrico de alta performance. Não produz nenhuma emissão e acelera de 0 a 60 mph em 4.0 segundos. Deixando performance de lado, evitar qualquer associação com o legado de aparência estranha dos antigos modelos de carros elétricos foi essencial. Uma aparência futurística foi rejeitada, trocada por uma estética familiar e acessível e que ajudaria a deixar condutores tradicionais mais confortáveis com a nova tecnologia – provando que veículos elétricos não precisam ser lentos, chatos ou feios.

Quando a Tesla Motors começou a trabalhar no design do Roadster, decidiram contratar a Lotus Engineering para fazer várias analises, cooperar na engenharia, ajudar na escolha de fornecedores e, logicamente, atuar no design da carroçaria do carro. No começo, acharam que iriam usar algumas partes do carro esportivo Lotus Elise porque o preço de fazer todas as partes do carro pareceu assustador sendo que a Tesla quase não tinha dinheiro.

O Presidente da Tesla, Elon Musk (que já foi dono de uma McLaren F1, e portanto tem uma expectativa bastante alta em relação a aparência de carros), me convenceu a ser ousado e não ter tanto medo assim. “Super carros” não são feitos de fibra de vidro e além disso o nosso target market demandaria uma aparência mais sofisticada que o Elise. Quando decidi que fibra de carbono era o caminho a ser seguido, tudo que o Elise usa foi descartado exceto as janelas da frente e dos lados.

Apesar de ter custado bastante tempo e dinheiro, esta decisão nos deu a oportunidade de consertar algumas coisas: contrariamente ao Elise o Tesla tem pára-choques de 2,5 mph e faróis da frente em concordância com as normas legais, e faróis traseiros de LED. O pára-brisa de um carro é uma parte cara e delicada e envolve preocupação com segurança, proteção para capotagens, requerimentos legais de visibilidade, ser a prova d’água, interação com os limpadores, etc. Fez muito sentido usar o sistema “estufa” e lacre-de-borracha do Elise. Contudo, até nesse ponto nós melhoramos: O vidro do Tesla Roadster tem um sistema caro mas eficaz de proteção contra raios ultra-violeta e infra-vermelhos, uma camada refletora embutida para manter a cabine fresca em dias mais quentes.

Com as dimensões básicas e os requerimentos para a cabine e a “estufa” finalizados, contratamos vários arquitetos de carros esportivos famosos para enviar propostas para o design do Roadster. Eu sabia exatamente como queria que o carro parecesse, pelo menos na minha cabeça, apesar de ser um engenheiro que não sabe nem desenhar um circulo. Meu filho de seis anos desenha carros melhor que eu. Passei alguns dias com alguns arquitetos descrevendo o que queria, mas as propostas voltaram todas erradas. Pareciam carros elétricos de desenhos animados – coisinhas falsas de animações. Não chegou nem perto do que queria.

Bill Moggridge é um grande amigo meu e um dos fundadores da IDEO, um importante estúdio de design que faz design de praticamente tudo menos carros. Bill é o tipo de designer que é admirado por outros designers, com gosto de vanguarda e um estilo impecável. Bill também me conhecia bem o suficiente para ter a paciência de ficar escutando as minhas idéias e decifrar o que eu queria. Ele me escreveu uma palestra na qual ele inventou um espaço com cinco eixos que descrevia a aparência de carros. Para cada eixo (por exemplo, macho de um lado, com curvas do outro ou futurístico de um lado e recatado do outro), Bill providenciou exemplos de carros que especificavam os extremos. Após isso nos negociamos exatamente aonde em cada eixo eu imaginava o Roadster.

A apresentação foi usada como um briefing para os arquitetos. Que diferença! De repente começaram a vir propostas que pareciam com o que eu realmente imaginava.


Universal Toilet

Produto: Universal Toilet
Designer: Changduk Kim e Youngki Hong, estudantes da Daejin University (Coréia do Sul)
Prêmio: Ouro
Categoria: Projetos de Estudantes
Descrição: Por mais que existam muitas amenidades públicas para pessoas com deficiências físicas, nem sempre essas os ajudam. Por exemplo, alguns banheiros para deficientes são muito difíceis de usar para usuários de cadeira de rodas, mesmo estando dentro dos padrões definidos pela lei. O Universal Toilet tem o objetivo de fazer com que ambientes públicos se transformem em locais mais acessíveis e mais inclusivos. Incorpora um principio de design universal de forma que cria uma privada que pode ser usada por todos os membros da nossa sociedade além de prevenir pessoas a se sentirem diferentes devido a sua deficiência.

Artigo e Design por Changduk e Youngki Hong
Ambos estudaram design de produto e meio ambiente na Universidade de Daejin em Pocheon, Corea do Sul. Changduk também é um designer de produto e interface na Samsung Software Membership além de ser um designer reconhecido pelo Instituto de Promoção de Design da Corea.

O Universal Toilet considera todos os requerimentos de um banheiro, incluindo público alvo, espaço e custos. O design também inclui uma pia. O seu principal recurso é a adaptabilidade que o banheiro tem, podendo ser usado por deficientes e não deficientes devido à função dupla do encosto que serve tanto de apoiador para as costas quanto para o peito. Também oferece bastante espaço, embora precisando somente de um quarto do espaço de um banheiro padrão para deficientes. Além disso, conserva água, reciclando a água usada na pia.

Pessoas com deficiências não querem instalações separadas ou especiais, o que eles querem é viver igual a todos. O Universal Toilet é um banheiro com um conceito de design flexível, prevenindo os mais velhos e as pessoas com deficiências físicas da consciência que elas tem de suas limitações. Elimina a necessidade de ter os dois tipos de banheiros em locais públicos – um passo bastante significativo, ajudando a melhorar a integração de todas as pessoas na sociedade.

Enquanto os requerimentos atuais para banheiros para deficientes são uma melhoria das condições do passado, essas instalações podem alienar justamente as pessoas às quais querem ajudar. Por exemplo, a placa mostrando alguém na cadeira de rodas, sinalizando que o banheiro é para deficientes, pode causar um sentimento de rejeição na pessoa que porta uma deficiência. Por outro lado, pessoas com deficiências que não usam cadeiras de rodas podem achar que o banheiro é restrito para uso de pessoas com cadeira de roda, e ao usar o outro banheiro, padrão, sofrem porque têm dificuldades. Tais sinalizações também excluem usuários desses banheiros da sociedade principal.

Os requerimentos que os banheiros públicos têm para ter instalações para pessoas com deficiências são uma interpretação rígida da lei que tem tons negativos, sugerindo que estão sendo feitas concessões. Uma interpretação mais ampla e inclusiva classificaria instalações para deficientes como instalações em que pessoas sem deficiências também poderiam usar sem desconforto – uma solução mais eloqüente.

O design da maioria dos banheiros para deficientes tem se preocupado com a funcionalidade e mecânica, mas sem nenhuma consideração ao fator emocional de ser portador de uma deficiência. Com a criação de um banheiro em que todos podem usar, não é mais necessário o uso de sinalizações diferentes muito menos o sentimento que o deficiente tem de ser excluído e diferenciado por ter instalações separadas.

O Universal Toilet oferece inovação, acomodando as necessidades dos deficientes e não deficientes em um só design. Foi previsto um banheiro que vai além do simples conceito de satisfazer a necessidade de todos – e no processo trouxe harmonia para todos.
A forma do Universal Toilet é similar a um banheiro padrão fazendo com que pessoas que não tem deficiências se sintam confortável usando-o também. Pelo fato do design não deixar obvio que é para deficientes, as pessoas com deficiências não ficam com vergonha de usar-lo.

Com o Universal Toilet, pessoas que usam cadeiras de rodas não precisam virar e contorcer a cadeira, eles podem simplesmente escorregar para fora da cadeira, diretamente para a privada. Tem também um suporte para o peito para ajudar na estabilidade e conforto. Uma pequena alça no apoio para o peito também pode ser útil quando a pessoa levanta ou se transfere da privada para a cadeira de rodas e vice-versa. Para pessoas que tem força ou destreza limitadas, bem como corpo capaz, o apoio para o peito pode virar um encosto para apoiar as costas.

Para prevenir danos na privada, os pontos em que a cadeira de rodas teria contato com a privada seriam cobertas de aço. A superfície da privada que tem contato com o corpo humano é tratada com um revestimento especial para atenuar o frio.

Dica do Eduardo Temperini

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