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Cervejarias descumprem veto a erotismo

Três anos após se comprometerem a não recorrer ao apelo sexual em anúncios de bebidas alcoólicas, as cervejarias voltaram a abusar de cenas com conotação erótica nas campanhas publicitárias deste verão.

Integrantes do mercado publicitário e representantes dos produtores de álcool admitem que parte da última safra de propaganda desrespeita o acordo de auto-regulamentação.

O superintendente do sindicato das cervejarias, Marcos Mesquita, também reconheceu “algumas irregularidades sob o conceito ético” na nova safra de comerciais, sem citar nomes.

O Conar (Conselho Nacional de Auto-Regulamentação Publicitária) já recebeu denúncias contra a Antarctica (Ambev) em razão do anúncio em que a atriz Juliana Paes atua como dona do Bar da Boa. O Conar tem poder para tirar um comercial do ar.

Em um dos comerciais, Juliana ameaça “botar para fora” os clientes que batem os pés para ver os seios dela balançar – eles respondem “bota, bota”, em referência aos seios.

Já a atriz Karina Bacchi e a apresentadora Adriane Galisteu viraram “namoradas” do “baixinho” da Kaiser, da fábrica mexicana Femsa. Em um dos filmes, garotas tiram as roupas umas das outras em uma disputa pelo garoto-propaganda até ficarem de biquíni.

A cerveja Cintra, do grupo português homônimo, é mais explícita. Lançou há uma semana comercial em que a modelo Dani Lopes, ao abaixar para pegar uma cerveja, expõe a tatuagem “tô dentro” na altura do cóccix.

A marca de cerveja carioca Devassa, têm se comunicado através de ilustrações eróticas..

O presidente do Conar, Gilberto Leifert, diz que o órgão passará a monitorar todas as propagandas – não só as de cerveja – para verificar se está havendo falta de ética no uso de mulheres em comerciais.

O anexo sobre bebidas alcoólicas do Código Brasileiro de Auto-Regulamentação Publicitária, publicado em 2003 pelo Conar, diz que os anúncios “não se utilizarão de imagens, linguagem ou idéias que sugiram ser o consumo do produto sinal de maturidade ou que contribua para o êxito profissional, social ou sexual”.

O objetivo da regra era que se promovessem marcas e não quantidade de consumo –ficou acordado que a associação entre bebida e erotismo pode levar ao consumo abusivo.

A auto-regulamentação de dezembro de 2003 ocorreu após ameaça do governo, nunca concretizada, de endurecer no controle do álcool, inclusive sobre a propaganda, com horário restrito para as cervejarias.

Por outro lado, as cervejarias negam desrespeitar a auto-regulamentação sobre bebidas alcoólicas do Conar (Conselho de Auto-Regulamentação Publicitária) que veta o apelo erótico nos comerciais dos produtos.

Para a Ambev: “Boa é a cerveja e ela [Juliana Paes, estrela da propaganda], a dona do bar. Não há relação entre êxito com as mulheres e tomar cerveja”.

Já a Femsa diz que repudia a utilização de qualquer cidadão em situações estereotipadas e que suas personagens são sempre expostas de forma digna e respeitosa em relação ao fato da atriz e beldade Karina Bacchi aparecer como namorada do garoto-propaganda da Kaiser nos comerciais.

As agências de propaganda das cervejarias ainda não se manisfestaram.

Fonte: Folha de São Paulo

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